segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Como estudar Direito Constitucional para concursos (dicas de estudo)

Meus caros,
como irei, na quinta pela manhã, ministrar uma Palestra para a Turma Platinum do IMP de Águas Claras sobre "Como estudar Direito Constitucional para concursos", resolvi deixar por escrito algumas "impressões" minhas sobre o tema:



DIREITO CONSTITUCIONAL
Prof. JOÃO TRINDADE
twitter: @jtrindadeprof

* Consultor Legislativo do Senado Federal
* Mestre em Direito Constitucional – Constituição e Sociedade pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP)
* Professor de Direito Constitucional Aplicado do curso de Especialização em Direito Legislativo do Instituto Legislativo Brasileiro/Senado Federal
* Professor de Direito Processual Civil VI (Controle de Constitucionalidade) do curso de Graduação em Direito do IESB; de Direito Constitucional VI (Estudos de Casos) do curso de Graduação em Direito do IDP e de Direito Constitucional I do curso de Graduação em Administração Pública do IDP
* Professor de Direito Constitucional em cursos preparatórios para concursos
* Coordenador do curso de Pós-Graduação lato sensu (Especialização) em Direito Constitucional da AVM

O “JOGO DOS SETE ERROS” DOS CONCURSANDOS

          Resolvi escrever algumas dicas, com base em dúvidas frequentes de alunos. Não se trata de verdades, claro, mas de meras recomendações.

PRIMEIRO ERRO: ACHAR QUE NÃO É CAPAZ

          Muitas pessoas acham que concurso público é algo para “iluminados”, pessoas fora-de-série que estudam pouquíssimo tempo e passam. Nada mais enganoso. A quase totalidade das pessoas que passam em concursos – principalmente os de ponta – estuda muito e há muito tempo, mas não possui nenhuma grande habilidade fora do comum. Muitos, inclusive, fizeram a “escadinha”, passando de um concurso para outro, até atingir o cargo dos sonhos.
          Aliás, se você perguntar à maioria dos aprovados, verá que eles sequer achavam que iriam passar naquela prova. Portanto, pode ter certeza: concurso público é, sim, para você, mesmo que não seja um geniozinho ou “cabeção”. Concurso é o triunfo da disciplina sobre a inteligência desidiosa.

SEGUNDO ERRO: ACREDITAR EM “FÓRMULAS MÁGICAS”

          Pululam no Facebook e em outras redes sociais postagens do tipo: “Passei no concurso X estudando apenas 4 meses”, “Passe em concurso estudando só 50% do edital”, ou “Como passar em concursos imediatamente”. Acredite: se houvesse fórmula mágica, os autores dessas pérolas não precisariam fazer propaganda, e ainda cobrariam milhões para “vendê-las”.
          Acontece que o concursando é uma pessoa em situação muito vulnerável – e, por isso mesmo, muito crédula. Se eu dissesse que passei no Senado porque fiz uma jornada mística para plantar uma árvore às margens do Rio Nilo, certamente haveria alguém que iria lá “só pra garantir”... Não se deixe enganar; não deixe que charlatães usem esse momento – sempre difícil – pelo qual você passa para surrupiar seu dinheiro. Em concurso se passa estudando. Claro que existem formas e formas de se estudar, mas se alguém disser que tem alguma “fórmula” ou “técnica” especial que ninguém mais sabe, desconfie. Ou não funciona, ou é ilícita. Igualzinho a quem diz que ganhou músculo sem malhar – ou é mentira, ou é “bomba”.
          Como diz meu amigo Zélio Maia, “a melhor técnica de estudo chama-se estudar”.

TERCEIRO ERRO: NÃO ESTUDAR

          É incrível, mas existe quem realmente acredite que dá pra passar em concurso sem estudar. Ou só decorando “macetes”, ou apenas resolvendo questões (sem nunca ver a teoria!), ou com “fórmulas” e “simpatias” (já falamos sobre esse último item).
          Agora me diga: com o grau de dificuldade dos concursos hoje, você realmente crê ser possível passar sem “colocar a bunda na cadeira”? Existem milhares de candidatos bem-preparados, quem quer aplicar a lei do menor esforço costuma não ter nem chance.
          Porém, veja: estou falando que você precisa estudar, não apenas assistir às aulas. Falo do estudo em casa, na sala de estudos, na biblioteca, etc. O estudo sozinho. O acúmulo de “horas-bunda”.
          Uma vez, uma aluna me interpelou: “Professor, eu estudo há sete anos e nunca passei”. Impossível. Quando a questionei, descobri o motivo: “Mas você estuda quantas horas por dia, sozinha?” “Não, eu só assisto às aulas”.
          O cursinho é importante? É, embora não seja decisivo. O curso serve muito bem para algumas pessoas, por exemplo: quem está começando, e não pode ficar perdido; quem já estuda há mais tempo, e quer fazer uma revisão ou curso de exercícios; ou quem não tem disciplina para estudar sozinho, se não tiver uma matéria para vencer. O curso te dá o caminho das pedras, mas o que faz você passar é o estudo sozinho!

QUARTO ERRO: NÃO ESTUDAR DIREITO

          Essa é a parte mais complicada. Muita gente estuda muito, mas da forma errada. Não existe um único “jeito certo” de estudar, mas certamente existem jeitos “errados” – ou que são muito pouco eficientes.
          Há pessoas que pensam estar num doutorado: querem entender absolutamente tudo de todos os detalhes de todas as disciplinas num nível muito maior que o exigido no concurso. Esses raramente terminam o edital e, portanto, dificilmente passam antes de largar esse “vício”. É que, salvo para cargos muito específicos, é mais importante vencer o edital todo, num nível “bom”, do que ver apenas algumas partes num nível avançadíssimo.
          Outro erro comum é não estudar pelo material certo. Hoje, temos um problema de excesso de fontes de informação – nem todas confiáveis. Procure a orientação de professores ou colegas já concursados sobre materiais (livros, etc.) confiáveis e focados em concurso público, elaborados por professores da área.
          Finalmente, estudar sem disciplina é uma boa forma de... ficar parado anos e anos. É igual à atividade física: é mais importante estudar todo dia, nem que seja meia hora, do que estudar uma semana oito horas por dia e depois passar duas semanas parado.
          Mais uma vez: nada vai ocorrer de uma hora para a outra. É como pintar uma obra-prima. Nenhum pintor, por mais talentoso que seja, começou pintando quadros inquestionáveis. A pessoa vai treinando, copiando, aprendendo, testando, errado, passando horas a fio, até chegar num nível ótimo.
          Crie um horário de estudos, que seja realista, e que você consiga cumprir efetivamente. É um ótimo primeiro passo.
          “Professor, devo fazer resumos, mapas mentais, etc?”.
          Duas palavras sobre essas formas de estudar:
a)    Resumo: muito efetivo (a pessoa fixa bem a matéria), mas muito pouco eficiente (gasta-se muito tempo). Eu, particularmente, nunca gostei muito de fazê-los, porque sou detalhista, então queria colocar no resumo todas as informações – o que é inviável. Se você tem dificuldades em fixar algumas matérias, pode ser útil, ainda que para alguns tópicos apenas;
b)    Mapa mental: nunca usei e nunca entendi como usar, mas há quem idolatre. Pode ser útil, desde que você não gaste muito tempo elaborando. Um amigo meu passa mais tempo desenhando o mapa mental do que estudando, aí não dá. Ah, ele agora está fazendo um curso de “como fazer mapas mentais”. Acho que ele vai prestar concurso para essa atividade, ou então está perdendo um tempo precioso...
c)    Grifar e reler o material: pode ser uma boa, se você é daqueles que só fixam a matéria depois de relê-la. Para mim, não costuma funcionar muito;
d)    Ler a mesma matéria por mais de um material: funciona muito bem para mim, mas tem gente que torce o nariz porque dá muito trabalho. A vantagem é que você fixa muito bem a matéria, e, às vezes, os livros se complementam muito bem (o que um não explica tão bem, o outro compensa, etc.);
e)    Resolução de exercícios: é indispensável. É preciso conhecer o que cai, como cai, e como a banca pensa – e isso só se consegue resolvendo questões anteriores. A não ser casos especialíssimos, resolva apenas questões de concursos anteriores e da banca que fará seu concurso. No começo, você fará poucos exercícios (ainda está estudando a teoria, né), mas deve ir aumentando gradativamente essa quantidade. Às vésperas da prova, o ideal é que tenha vencido todo o edital e fique apenas revisando a matéria por meio de questões.

QUINTO ERRO: NÃO TER FOCO

          É o jeito mais fácil de não passar. Sabe aquele “concurseiro” profissional, que faz concurso todo domingo, qualquer que seja o cargo? Provavelmente, ele ainda vai dar muito dinheiro a bancas e cursinhos antes de passar...
          Não caia na história de parentes e “amigos” que dizem que “quanto mais concursos você fizer, mais chances tem de passar”. Concurso não é Tele-Sena. Quem faz concursos muito diferentes entre si estuda tudo e não estuda nada, se perde, confunde, mistura.
          Também não recomendo focar em um único concurso e apostar todas as fichas nele (vai que algo dá errado...). O ideal é focar em uma área, e fazer concursos das oportunidades que forem aparecendo naquele setor.
          Escolha: área jurídica (Analista Judiciário, Delegado, Promotor, Juiz, Defensor, Procurador, etc.); carreiras fiscais (Auditor Fiscal, Analista Tributário, TCU, TCEs, etc.); carreiras policiais e de segurança pública (PF, Polícia Civil, ABIN, entre outros); Tribunais (analistas e técnicos de TJ, TRT, STF, STJ, etc.); área administrativa (agências reguladoras e/ou ministérios); carreiras do Legislativo (Câmara dos Deputados, Senado, Assembleias Legislativas...); área bancária... O importante é focar em uma área e dominá-la, para estar preparado ANTES de os editais saírem.

SEXTO ERRO: NÃO PERSISTIR

          Sabe aquela figura que aparece na academia ou na aula ou no médico, começa o treinamento/curso/tratamento e para no meio? E depois volta e recomeça e para? Você acha isso a atitude mais adequada? Com concurso é a mesma coisa.
          Claro que estudo nunca é perdido, e você nunca volta exatamente ao zero. Mas cada vez que você para de se preparar, é como se tivesse que “remar” mais um pouco para voltar àquele ponto de preparação em que estava.
          “Ah, professor, mas é que acho que concurso não é para mim. Estudo com afinco e dedicação total há mais de um ano e não passei em nada! Acho que vou desistir!”. Foi o que ouvi de uma aluna, uma semana antes de ela fazer a prova em passou em primeiro lugar para analista de um tribunal. Imagine se ela tivesse desistido, hein!!! Precisa dizer mais?

SÉTIMO ERRO: COMPARAR-SE COM OS OUTROS

          Quem faz cursinho presencial ou lê aqueles fóruns terríveis sabe do que estou falando: sempre tem alguém que fica “ensinando” aos outros o que fazer e como fazer, dizendo que estuda Y horas por dia, que acertou 120% da prova, etc. Não dê ouvidos. Cada um tem seu ritmo. Como numa corrida, você, com um ano de treino, não pode querer acompanhar alguém que treina há cinco anos.
          Estude no seu ritmo, do jeito que dá mais certo para você, e persevere: os resultados vão chegar.
          Como me disse uma amiga minha, citando um autor que desconheço: “nós devemos confiar como se tudo dependesse de Deus, mas agir como se tudo dependesse de nós mesmos”.
          Bons estudos!!!

PS: Para quem quer fazer um curso presencial do básico ao avançado, focado nas carreiras da área administrativa, tribunais e legislativa, recomendo a Turma Platinum do IMP Concursos, da qual sou um dos idealizadores e coordenadores (conheça mais clicando aqui).
PS2: Se sua praia são as carreiras fiscais, o curso é este aqui.
PS3: Começa dia 3 de março, às terças e quintas pela manhã, no IMP Concursos da Asa Norte, meu curso regular de Direito Constitucional (22 aulas + maratona de exercícios + simulado). Para mais informações, clique aqui.
PS4: Se você vai fazer concursos da área legislativa, haverá, em fevereiro (depois do carnaval), meu curso "Processo Legislativo Constitucional" (4 aulas), no IMP da Asa Sul, manhã ou noite (para acessar as turmas, clique aqui).
PS5: Por fim, se você prefere cursos online, recomendo o Tempodeconcurso.com.br, que tem, inclusive, meu curso completo de Direito Constitucional (cujas aulas atualizo periodicamente), e que você pode conhecer clicando aqui.

5 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Professor, sou sua aluna no Platinum da Asa Norte e gostaria de saber se você indica algum material extra para exercícios. Obrigada!

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  3. Professor, quero muito me preparar para o concurso do Senado para consultor legislativo, na área de direito constitucional, administrativo e eleitoral. Tem algum post no seu blog indicando material para esse cargo? Eu encontrei um post de 2012 indicando material para analista da Câmara dos Deputados. Nesse post, o sr. indica os seus livros de direito constitucional e de processo legislativo e, para administrativo, indica o livro do professor Gustavo Scatolino. O sr. ainda faz as mesmas recomendações? E quanto a direito eleitoral?
    O sr. recomenda o estudo integral do edital passado?

    Professor, o sr. poderia dar coaching para concurso do Legislativo! Eu seria a primeira a me matricular!!!! Será que haveria algum projeto nesse sentido??? rsrsrs

    Muito grata!

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Olá, professor.

    Em relação as técnicas de estudo mencionadas pelo senhor. Também gosto de ler a mesma matéria em duas fontes distintas. Mas a pergunta é: o senhor faz isso, depois soluciona vários exercícios. É este o seu método de estudos?

    Muito obrigado,

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